O Chow-Chow, que hoje é um cão de companhia e que no século passado era criado na China apenas pela sua pele e pela sua carne, antigamente era utilizado para fins muito diferentes. Cão de guarda de palácios e residências senhoriais, era também um caçador (particularmente apreciado para a caça da zibelina na Ásia setentrional). Os 3 femeas com 5 meses de idade  na fotojaponeses, que por sorte salvaram algumas raças aparentadas com o Chow-Chow, diziam que estes cães eram essencialmente cães de caça, capazes de rastear e perseguir grandes veados. Alguns Chows atuais mostram ocasionalmente uma verdadeira essência de caçador...

Seria um cão de trenó? Dheers (Estudioso Canino) coloca isso em questão: "ele foi considerado um cão de tiro; trata-se de atrelagens de brincadeira, é claro, porque se pensarmos num verdadeiro serviço de tiro, num trabalho efetivo, pareceria um trabalho duvidoso; não só porque este cão não tem velocidade mas principalmente devido aos seus jarretes retos e freqüentemente torcidos que o tornam pouco indicado para a tração" .

Dr. Fernand Méry(um dos fãs incondicionais da raça) defende uma opinião completamente diferente. Segundo afirmações suas, " numerosos Chows puxando trenós transportavam duas vezes por ano as mercadorias humildes de algum condutor vindo de longe das fronteiras nevadas da Manchúria até os grandes povoado..." . Por outro lado, Pierre Etienne (Antigo presidente francês do clube desta raça) assegura que o aspecto físico do Chow lhe permite puxar trenós: " a forma peculiar dos seus membros posteriores, a parte da frente maciça (cabeça, pescoço, ombros) que pesa no arreio tornam-no especialmente apto para a tração de trenós,Maggie, femea 15 meses de idade na foto com uma ação potente e sem solavancos.

Existem provas recentes realizadas com sucesso em Berlim e por criadores suecos" De qualquer forma, a atual vocação do Chow-Chow não é ser uma " locomotiva na neve" mas sim um cão de companhia e de guarda. Para quem duvidar desta última aptidão, basta lembrar de sua desconfiança de antigamente, a sua coragem indiscutível e a sua austeridade perante a dor. No que se refere A expulsão dos intrusos, o seu tamanho médio é compensado pelo seu volume (não se pode confundi-lo com um cão pequeno) e, embora não ladre, nem por isso os seus avisos são menos significativos ou dignos de serem levados em conta... O que o torna tão apaixonante e atraente não é tanto a sua utilidade para esta ou aquela missão, mas a sua personalidade fora do comum. As vezes ouve-se dizer que este cão com aspecto de leão parece ter se transformado num ursinho de pelúcia. É verdade que o homem modificou o seu aspecto, mas não conseguiu influenciar o seu temperamento.

Cláudia com Gus (Macho 6 meses na foto)O Chow conserva uma segurança e uma dignidade totalmente leoninas, continuando a ter aquele ar asiático de insensibilidade e falsa indiferença. A sua capacidade de afeto, muito real e profunda, manifesta-se pouco. O seu gosto pela independência é muito evidente. Sendo geralmente muito calmo, nem por isso deixa de ser capaz de ter reações muito vivas e os seus reflexos podem ser muito rápidos quando necessário. É claro que o Chow não é recomendado para donos que exijam manifestações expansivas de ternura, nem para aqueles que precisem saciar uma necessidade maníaca de autoritarismo. Este é um animal que não consegue ser facilmente manipulado e nem é aconselhável que seja possuído por alguém de personalidade fraca porque o levaria as ruas da amargura. Todavia, esse caráter independente, distante e altivo é precisamente o que o faz parecer-se com o leão, com o gato e com o urso, cujas personalidades fascinam tanto algumas pessoas.

O aspecto bondoso do Chow nada tem a ver com o seu temperamento: antes de obedecer, pensa duas vezes. Não se pode brusco com ele e muito menos bruto, mas não quer dizer que se deva ter em princípio uma atitude complacente perante a sua rebeldia natural. Ao contrário, deve-se educá-lo precocemente, desde os três meses (ou mesmo antes, se possível) com suavidade, compreensão e paciência, mas sempre com firmeza.